8.6.16

Cunha volta a tentar tirar de Moro investigação sobre a mulher e a filha

Ministro do STF encaminhou investigação das duas para Justiça Federal. Defesa de Cunha argumenta haver 'usurpação' da competência do STF
Ministro do STF encaminhou investigação das duas para Justiça Federal. Defesa de Cunha argumenta haver ‘usurpação’ da competência do STF
O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a pedir nesta terça-feira (7) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retirar do juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, as investigações referentes à mulher dele, Cláudia Cruz, e à filha, Danielle da Cunha.
Em março, o ministro do Supremo Teori Zavascki, responsável pelos processos da Lava Jato na Corte Suprema, enviou a Moro as suspeitas do envolvimento de Cláudia e Danielle com as supostas irregularidades investigadas no inquérito sobre contas secretas na Suíça em nome do casal. Cunha já havia tentado anteriormente fazer que a investigação das duas voltasse a ficar sob a responsabilidade do STF.
Desta vez, os advogados do peemedebista dizem que o inquérito no Paraná tem “farta prova” contra Cunha, e que a continuidade da apuração na primeira instância é “clara usurpação” da competência do Supremo, Corte responsável por investigar pessoas com foro privilegiado, como parlamentares e ministros.
O principal argumento de Cunha se baseia em depoimentos dados pelas duas à força-tarefa da Lava Jato no Paraná, em abril.
Cunha foi denunciado ao Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de não declarar conta no exterior. A mulher e a filha dele, também acusadas de ter conta fora do país, tiveram as suspeitas enviadas para investigação da Justiça Federal do Paraná, onde se concentra a Operação Lava Jato.
Segundo o documento enviado a Teori Zavascki, no depoimento de Danielle o nome de Cunha é citado 17 vezes. No depoimento de Cláudia Cruz, 30 vezes, de acordo com a defesa. Para os advogados, os depoimentos mostraram que os casos das duas estão diretamente relacionados ao do deputado peemedebista.
Denúncia
Em março, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncia contra Cunha no STF acusando-o de evasão de divisas, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral no caso das contas na Suíça.
Segundo a Procuradoria, Cunha recebeu pelo menos US$ 1,31 milhão – R$ 5,2 milhões –  em uma conta na Suíça. O dinheiro, segundo a Suíça, foi recebido como propina pela viabilização da aquisição, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África.
O dinheiro teria sido usado para compra de itens de luxo para a família, tudo sem declarar às autoridades bancárias nem à Justiça Eleitoral.
Nesta terça-feira (7), o jornal da TV Globo Bom Dia Brasil informou que Rodrigo Janot pediu ao Supremo a prisão de Eduardo Cunha. Segundo informação publicada em reportagem do jornal “O Globo” e confirmada pela TV Globo, também foi solicitada a prisão de Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP).
O chefe do Ministério Público pede a prisão dos quatro peemedebistas por suspeita de eles estarem tentando obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Os pedidos de prisão estão, há pelo menos uma semana, sobre a mesa do ministro do Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF.
Fonte: Verdade Gospel e G1
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